Nesta Estação

Vou devolver tudo que é teu e que ficou aqui.Teu olhar, teu sorriso, tuas palavras, teus gestos e histórias. Aqueles planos. O riso alto,o abraço um pouco mais apertado, o molhado da boca.Nada mais cabe aqui.O suor sob o sol forte, a lua no escuro da noite.Sobre as taças de vinho e os incensos, vou continuar, troco apenas de sabor e aroma, isso é uma parte de mim que não pretendo mudar só singularizar.Para os dias de frio, um chá de hortelã antes de dormir.

Vê se entende

Não adianta querer fugir da essência.
Fazer coisas que possam parecer distraídas,diferentes das que de fato te compõe, só pra disfarçar. Ah, dizem ... não faça isso, não demonstre, não se exponha e tantos outros conselhos e opiniões. Se tudo isso trouxesse solução até seria interessante seguir. Mas não somos feitos de inverdades, e as verdades doem. E às vezes é, assim, doendo aprendemos a cura-las.Não é querer transformar, pode ser querer encaixar; não é querendo modificar, pode ser querer completar; não é não aceitar, é querer compreender.

A força

A força.
Esgotada, respira devagar, poupando o dia em que se salva mais uma vez.Já não tem nascido mais pelas manhãs.Espera que tão menos chegue o outono, as folhas cubram o solo, e num entardecer qualquer. Seu calor deixará de ser febril.

Abrigo


Era uma vez uma recordação
E a realidade veio e estragou tudo
Bebeu de sua ansiedade
Engasgou com sua verdade
E agora descansa
Fecha os olhos para e esconder do  perigo
Sente medo da obra gigante
É o tempo a sua frente
Cria uma abrigo em seu olhar
Um suspiro recorre o minuto
O que era antes uma via
Hoje é estrada vazia

Fragmentos de maturidade

Sempre ouvi dizer que o mais importante do que saber o que se quer, é saber o que não quer.
Então seguindo esse conceito e, acreditando nele, fui buscar o que não queria.

Encontrei algumas coisas, descobri outras, e é ainda um processo lento e contínuo.
Então conheci situações, pessoas e fui entendendo o que são escolhas.
Percebi que não se tem o "tal dedo podre", o que acontece de fato são os critérios que adotamos e o resultado deles para nossas escolhas; e que acabamos apontando como "dedo podre".
Parei de apontar e comecei a prestar atenção nos critérios. Estou ainda em aprendizado, porque não é lá muito fácil "virar o dedão para você mesmo".

Eu  já sei que algumas decisões, serão doloridas e que terei que lidar com elas, respeita-las. Aquela coisa do amor próprio... É tão fácil falar para o outro. Mas a gente não nasce sabendo nem mesmo sobre a gente mesmo. Estamos sempre em construção. Essa arquitetura de atitude, a engenharia da decisão não vem sabiamente completa, por isso temos as experiências, os desafios, as conquistas, e os equívocos, as ilusões.

Enfim, nesse caminho todo dei falta do oposto do mais importante...Saber o que quero. Achei que era tão lógico, não é. E eu vi que estava sempre no meio, correndo um perigo imenso de estar na contra mão. Fui pega de raspão por diversas vezes. Olhava para meus arranhões e culpava os outros, acusava de displicentes, egoístas, covardes, oportunistas e tantos outros adjetivos.

Sei que não é possível reduzir decepções a zero. Mas,sei que posso inibir qualquer coisa que possa resultar em algo que me magoe.

"Eu não preciso provar nada para ninguém, ou ninguém tem nada a ver com minha vida"... são outras coisas que ouço dizer e que estou reavaliando como significado para mim e a aceitação dessa convivência.Influencias.

Até mesmo as famosas "não estou preparado", "não é o momento" ou "ainda preciso de tempo"

...E se você , que por acaso esteja lendo  isso e já  julga e rotula todo o texto como inquietação emocional de relacionamento, pense naquele instante do critério de escolhas.
Estou falando de tudo, de uma vida que envolve, profissão, trabalho, opiniões, oportunidades, comportamento, mudanças e relacionamentos também.

A gente nem cabe dentro das palavras. E depois, lá no silêncio do travesseiro, na escuridão daquilo que segredamos até da nossa própria vez, às vezes expressamos um sorriso outras vezes sentimos o correr no rostos o frio da lágrima, e questionamos... 

o que é o mais importante?  Não importa o que tenha ouvido dizer...mas o que importa para mim. 
E  pra você?
©2010 Danny Montenegro Por Escrito em Nanquim