A força

A força.
Esgotada, respira devagar, poupando o dia em que se salva mais uma vez.Já não tem nascido mais pelas manhãs.Espera que tão menos chegue o outono, as folhas cubram o solo, e num entardecer qualquer. Seu calor deixará de ser febril.

Abrigo


Era uma vez uma recordação
E a realidade veio e estragou tudo
Bebeu de sua ansiedade
Engasgou com sua verdade
E agora descansa
Fecha os olhos para e esconder do  perigo
Sente medo da obra gigante
É o tempo a sua frente
Cria uma abrigo em seu olhar
Um suspiro recorre o minuto
O que era antes uma via
Hoje é estrada vazia

Fragmentos de maturidade

Sempre ouvi dizer que o mais importante do que saber o que se quer, é saber o que não quer.
Então seguindo esse conceito e, acreditando nele, fui buscar o que não queria.

Encontrei algumas coisas, descobri outras, e é ainda um processo lento e contínuo.
Então conheci situações, pessoas e fui entendendo o que são escolhas.
Percebi que não se tem o "tal dedo podre", o que acontece de fato são os critérios que adotamos e o resultado deles para nossas escolhas; e que acabamos apontando como "dedo podre".
Parei de apontar e comecei a prestar atenção nos critérios. Estou ainda em aprendizado, porque não é lá muito fácil "virar o dedão para você mesmo".

Eu  já sei que algumas decisões, serão doloridas e que terei que lidar com elas, respeita-las. Aquela coisa do amor próprio... É tão fácil falar para o outro. Mas a gente não nasce sabendo nem mesmo sobre a gente mesmo. Estamos sempre em construção. Essa arquitetura de atitude, a engenharia da decisão não vem sabiamente completa, por isso temos as experiências, os desafios, as conquistas, e os equívocos, as ilusões.

Enfim, nesse caminho todo dei falta do oposto do mais importante...Saber o que quero. Achei que era tão lógico, não é. E eu vi que estava sempre no meio, correndo um perigo imenso de estar na contra mão. Fui pega de raspão por diversas vezes. Olhava para meus arranhões e culpava os outros, acusava de displicentes, egoístas, covardes, oportunistas e tantos outros adjetivos.

Sei que não é possível reduzir decepções a zero. Mas,sei que posso inibir qualquer coisa que possa resultar em algo que me magoe.

"Eu não preciso provar nada para ninguém, ou ninguém tem nada a ver com minha vida"... são outras coisas que ouço dizer e que estou reavaliando como significado para mim e a aceitação dessa convivência.Influencias.

Até mesmo as famosas "não estou preparado", "não é o momento" ou "ainda preciso de tempo"

...E se você , que por acaso esteja lendo  isso e já  julga e rotula todo o texto como inquietação emocional de relacionamento, pense naquele instante do critério de escolhas.
Estou falando de tudo, de uma vida que envolve, profissão, trabalho, opiniões, oportunidades, comportamento, mudanças e relacionamentos também.

A gente nem cabe dentro das palavras. E depois, lá no silêncio do travesseiro, na escuridão daquilo que segredamos até da nossa própria vez, às vezes expressamos um sorriso outras vezes sentimos o correr no rostos o frio da lágrima, e questionamos... 

o que é o mais importante?  Não importa o que tenha ouvido dizer...mas o que importa para mim. 
E  pra você?

Às Vezes


Decisão
doloridas e  necessárias
Visão de amplitude a margem da ansiedade
Filtro de sabores e dissabores

Inquietude
Choro engolido, rasgado na garganta e tão silencioso quanto a surdez
Desejo algo que  talvez não tenha alcance

Verdades
traz sempre a importância da certeza
Incerteza momento de deixar 

Às vezes tudo isso num só no olhar














Bolha

Tem uma bolha dentro de mim. Uma bolha que protege, isola e as vezes, por isso mesmo, não permite ir além.Além de todos os sentidos. Além da capacidade, da coragem, da ausência dela, do otimismo ou do total abandono contextual. Essa coisa de esmurrar a faca até sangrar e depois lamber o que escorre, sentindo seu o gosto quente. Há dias que acordo bem, outros não. Essa bolha tem duas facetas e  nenhuma delas alcanço murchar ou inflar. É involuntário sua existência ou resistência. Dentro dessa bolha cabe milhões de pensamentos.E para cada um deles , toda vez que tropeço ou agito, eles se misturam se agrupam, aniquilam, reproduzem, quando tudo para, sobra o que fica reverberando...

©2010 Danny Montenegro Por Escrito em Nanquim