Construções

Essa péssima leitura que faço das mentiras que encontro nos seus olhos quando falamos a verdade.
Diante do desmoronamento desfazer dos destroços é mais dolorido que a suposta procura do que poderia sobreviver e reagir. O deboche em que acredita mostrar não intencional, maneira clara de se afastar do que não é mais oportuno é o que soterra; morrer sufocado traz dor. E todas as diferenças onde encontrou a igualdade que precisava, a compreensão, cumplicidade perdeu o valor. Como em todos os planos de circunstâncias, às vezes projetos novos derrubam alicerces, se mostram ousados, bonitos. Nada mudou... As construções ainda são feitas de cimento, pedras, areia... o que varia é  em que solo vai erguer seu castelo...
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Nesta Estação

Vou devolver tudo que é teu e que ficou aqui.Teu olhar, teu sorriso, tuas palavras, teus gestos e histórias. Aqueles planos. O riso alto,o abraço um pouco mais apertado, o molhado da boca.Nada mais cabe aqui.O suor sob o sol forte, a lua no escuro da noite.Sobre as taças de vinho e os incensos, vou continuar, troco apenas de sabor e aroma, isso é uma parte de mim que não pretendo mudar só singularizar.Para os dias de frio, um chá de hortelã antes de dormir.

Vê se entende

Não adianta querer fugir da essência.
Fazer coisas que possam parecer distraídas,diferentes das que de fato te compõe, só pra disfarçar. Ah, dizem ... não faça isso, não demonstre, não se exponha e tantos outros conselhos e opiniões. Se tudo isso trouxesse solução até seria interessante seguir. Mas não somos feitos de inverdades, e as verdades doem. E às vezes é, assim, doendo aprendemos a cura-las.Não é querer transformar, pode ser querer encaixar; não é querendo modificar, pode ser querer completar; não é não aceitar, é querer compreender.

A força

A força.
Esgotada, respira devagar, poupando o dia em que se salva mais uma vez.Já não tem nascido mais pelas manhãs.Espera que tão menos chegue o outono, as folhas cubram o solo, e num entardecer qualquer. Seu calor deixará de ser febril.

Abrigo


Era uma vez uma recordação
E a realidade veio e estragou tudo
Bebeu de sua ansiedade
Engasgou com sua verdade
E agora descansa
Fecha os olhos para e esconder do  perigo
Sente medo da obra gigante
É o tempo a sua frente
Cria uma abrigo em seu olhar
Um suspiro recorre o minuto
O que era antes uma via
Hoje é estrada vazia

©2010 Danny Montenegro Por Escrito em Nanquim