maio 29, 2010

Verbo Particular

Existe um verbo particular.
Cuja a condição é que não tenha tempo para se conjugar
É sobre a sensação de esperar e
da possível falência de não chegar
Verbo que não fica no presente,
nem muda de lugar.
Difícil explicar, mas é possível entender
Um verbo de se sentir, e que hoje eu senti
Que não se chama saudade, também não é vontade
não sei conjuga-lo admito, não sei atravessa-lo em mim
só sei que tem nome próprio
Um verbo particular que conheci



Sobre o Abraço

O abraço é um gesto completo.
Mas não é qualquer abraço que é assim.
O teu abraço é que é.
Ele me guarda inteira, me acalma, me excita.
É no teu abraço, nos instantes em que estou nos
teus braços, que te pertenço mais que qualquer outro
instante que tenha vindo antes, de me abraçar em ti.
O abraço é uma declaração.
E se faltavam entre os braços, as palavras
eu as digo, embora longe dos teus ouvidos
Me abraça agora, porque no teu abraço eu me encaixo
Me abraça agora, porque tenho saudade,
Me abraça agora, porque te quero
Me abraça sempre, porque te espero



maio 27, 2010

Charme III

Ah, esses seus olhares que dizem tudo.
Ah, essa vontade de advinhar, entregar.
Qual é parte no todo para te encontrar? Sentir o sol acarinhar a pele, o dia tem álibe próprio. Mesmo que as luzes não se acendam, mesmo que os holofotes não iluminen; a noite pelos becos, nas sombras, nos ensaios de garagem, nas filas intermináveis de cinema. Ah, esse jeito de ir aos poucos. Esperamos quem sabe, nos alcançar? O que fica sempre é algo para decifrar e isso vai ganhando mais e mais, e mais momentos no pensamento...uma paixãozinha de encaixar...um jeitinho pra se chamar...

maio 25, 2010

Eu sigo

Passo como quem passa assim, despercebida
Andar descompassado, pernas trocando os passos
Já é quase um hábito, fingir assim
Não me preocupo se a expressão atormenta
Eu sigo.

maio 23, 2010

Molduras

É só um querer.
As vezes gosto de ser assim, sentir assim.
Dizer assim. Mas porque fica parecendo
que tem que se estender além do que momento quer dizer?
Não sei prometer para amanhã, o que me abraça agora
Se existe é pra ser vivido, independente de quanto tempo
Se entrego é pelo todo, independente das partes que ficam pra depois
Se estou é pela presença, a ausência vai se encontrar na falta
Agora é no teu corpo que eu viajo.
São teus sons que ouço, são tuas as palavras que reproduzem meus desejos
E é pra voce, que agora eu existo
Secretamente, neste quarto de motel, nessa rua sem saída
nessa cidade vazia, nessa vida roubada.
Mas não pense que amanhã será assim
Não talvez por voce, não talvez por mim
A saudade é o limite da razão, creia

maio 22, 2010

O MEU TEMPO

O meu tempo é o espaço entre pensar e realizar.
Não tem cronômetro.Tem emoção.
Tem intensidade.
Tem necessidade de querer,
vontade de sentir.
O meu tempo é leve.
O meu tempo tem olhos de águia,
pele macia, gosto doce, corpo quente.
O meu tempo tem palavras fortes,
curtas e longas.
O meu tempo não mora.
Ele envolve, ele protege.
O meu tempo é que vivo em cada vão,
em cada brecha.
É o que percorro é o que encontro.

maio 21, 2010

Só perguntas

Mente?
Mente quando pensa
ou quando diz?
Já subornou seus desejos?
Já enganou suas fantasias?
Já esteve sem querer
e deixou o queria?
Já suportou?
Já acordou suado
por se trair?
Já atravessou
seu orgulho?
Já sentiu
sem tocar?
Já esperou?
Já se permitiu?
E quando mente assim,
mente por voce ?





Instigante... é sobre desvendar o perigo imaginar o gosto  o poder da persuasão ao movimentar o corpo  pulsar, trocar de lado, de ato, sobre...