janeiro 26, 2011

Vulcânico

Tem um lado meu que não me foge nunca. Faz todas as curvas e traços dos meus movimentos. Tem um lado meu que não cansa de querer, de buscar mesmo o que longe está. Tem um lado meu que não desanima porque  reconhece que a tristeza é uma adaga, dá a sentença que não desejo  receber. Tem um lado meu que olha com a força de um ímã, e arrasta. Tem um lado meu bruxa, feiticeira, alquimista, mas, tem um lado meu que é seu. Esse que voce esqueceu aqui, comigo, e eu guardo. Tem um lado meu, que em resposta, nega, mas que em emoção sente e continua guardando um tanto de voce.Tem um lado meu que é só seu. O lado de seda, o lado de espinhos, o avesso e o direito dos dias que seus,  roubam os meus, do olhar distante e da voz calada, nas mãos que suam, nos pés que sangram.Tem um lado meu que é seu. Tem um lado meu que é meu porque é teu o meu querer.Tem um lado meu, metade de mim, perguntas de mim, vidraças de mim que é só meu. Não pertence a voce. Tem um lado que é nosso. Adormecido. Vulcânico. 

janeiro 24, 2011

Se pelo menos uma vez…

As vezes me falta ânimo para dizer o que se passa. Há uma certa revolta  em tanto dizer e sempre apenas parecer repetitiva. O curioso  é que quando não repito, parece que fica vazio . Não, não para a mim. Se pelo menos uma  vez, houvesse uma outra carga sobre as coisas, de outro angulo, de outra expectativa, a sua ou a minha talvez , só para variar.Leio os jornais. É só. Tudo me passa tão superficial. Das contas num colar  onde se reza a  novena. Pai nosso… venha  à nós… Só se pede, nada se agradece. Estou enjoada. Umbigos crescem dilacerados, únicos, sem par, não se encontram, não se cabem. Essa maneira de passar reto , batido  meio de se  defender  e ofender aos próximos. Então me pergunto  , e quando  eu me excedo? Ah! Sim, não pode. Se ao menos uma vez  pudesse, imaginar,pensar, com a visão de quem recebe, certamente facilitaria a compreensão. Não, não disse aceitação. Qualquer coisa  pode doer ou aliviar demais. Apenas compreender já é o bastante.  Provoque sua inversa reação. E depois não me diga, jamais me diria mesmo. Mas guarde, o seu para si, pelo menos uma vez.

janeiro 19, 2011

Para saber

E que venham os  desafios. Incessantes  provocações, que ressaltam os medos diante das imagens que os anseios revelam.

E que venham os arrepios, os frios nas extremidades trêmulas,  quando  chegar  a vez e então, não tiver mais como retroagir.

Sim, e que venha tudo que transforma, repagina, recria, reinventa. Porque  bendito seja o momento de viver essas sensações, para que então mais  tarde, possamos  saber da sorte de ter podido reconstruir.

janeiro 14, 2011

Vidraça Aberta

Relacionamento, posse ,amor.
Dos defeitos os efeitos de traição, rancor.

Para amar é preciso ser livre, egoista do outro. 
Seu nome é companheiro. 
Abraço de soneto Beijo de desejo Lembranças da razão. 
Insana, disfarçada de alegria Bebe da água dormida, a mentira , a ilusão. Ninguém é tão perfeito que não viva,sem perdão

janeiro 11, 2011

Detalhes dos Tijolos

Empilhados  formam muros, paredes. Separam os lados, dividem as partes. Provocam inquietude, curiosidade, medo talvez.Mas, criam novos espaços.  Uma construção, uma obra.Quantos fazem, quem participa? Que sustentação tem? Meus tijolos estão  num canto de mim. Se formando em esculturas.

janeiro 05, 2011

Estrada Nova

Seguir, apenas  ir. Sem direção nem sorteio. Apenas ir. Desprendendo  no caminho as amarguras guardadas e colhendo outras  delicias. Uma troca, sem resgate, sem semente. Reparando olhares, lambendo  beijos, abraçando  braços. Sorrindo sorrisos. E continuar indo. Não. Isso não é promiscuo, é  livre. Liberdade de descobrir e saber descobrir. Seguir pelo instinto, pelo feeling, pelo prazer. Ah...!  o prazer. Prazer do gozo que  não precisa ser orgasmico, apenas sexualmente, mas orgasmico no conjunto. Há uma linha cortante, oculta, calada. Ao trocar os passos  criamos oportunidades. E  enfeitamos caminhos, percursos. Agora eu vejo um traço. Um traçado. Estou indo.

janeiro 04, 2011

Não pense

Uma vontade de me deixar levar. Ensurdecer, cegar. Fico assistindo a esse mesmo filme, em reprise e, todas as vezes  faço a mesma  pergunta. É quase uma rotina. Destesto rotinas. Mas por que  essa é diferente? Talvez, porque essa ainda não tenha sofrido  nenhuma fissura. Está na suprema fantasia, no inquietante desejo. Há entre as pontas uma condução que não exige, ou não mostra exigências. Nada se diz, tudo consente. Nada  se aproxima, tudo busca. E busca em tudo aquilo que se aproxima. Na vontade, no medo, na ausência, na presença. Como uma página de livro, que  abrimos  num capitulo qualquer e ali está aquele trecho, escrito especialmente para nós. Não pense que esse pensamento me domina. Não. Ele  apenas me consome quando permito sentir. Gosto muito  da consumação. Ela arde, e isso  faz com que o sangue corra quente, rápido. Sugere. Não, não  pense. Deixe  a cegueira e a surdez te tomar de assalto. Será que assistir o mesmo mesmo filme pode mudar a pergunta, ou a rotina? Eu detesto rotina.

Instigante... é sobre desvendar o perigo imaginar o gosto  o poder da persuasão ao movimentar o corpo  pulsar, trocar de lado, de ato, sobre...