Olhei as paredes brancas. Imaginei gravuras, texturas, cores. Desisti.
Tudo tão serenamente calmo. Fiquei procurando onde estaria o trincado. Toda parede tem uma rachadura. O pé direito duplo, acho lindo, mas não alcanço. Nossa como é difícil colocar um móbile, desviei meu pensamento. Lugar bonito esse. Me dei conta que só existiam mesmo, as paredes de alicerce.Todo o restante sem portas ou divisórias. Incrível! Amplo, arejado...vulnerável...explicito...
Por um instante senti frágil demais. Que bobagem a minha.
Acostumada com milhões de entradas e saídas, tudo trancado, resguardado dos olhos. Pronto, me decidi. É assim que eu quero.
Em pouco tempo lá estava eu. Ah ! Esqueci de falar das janelas! Verdadeiros Vitrais! Depois, fui me sentindo pequena dentro daquilo tudo. Pintei as paredes para esconder as rachaduras que antes não havia notado, dividi o espaço com os móveis, cobri com cortinas as janelas.
Fechei os olhos e me lembrei da casa velha. Aquela que eu tanto me queixava. Onde deixei meus sonhos de menina, por onde meus passos se perderam depois da porta de saída. Fui até ela. Aquela casa que achei que não mais servia, e que eu via feia, fria. Fiquei parada em frente, não pude mais entrar.
Só que desta vez, me parecia linda.
O que foi deixado do lado de fora já não tem tanta importância assim. É mais árduo o que está do lado de dentro. Isso sim, é importante.
junho 13, 2009
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